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BNDES vai liberar R$ 203 milhões para a Citrosuco

21/10/2009

Por: Flávio Viegas

O empréstimo, aprovado pelo banco de fomento e pela diretoria da companhia, será liberado para a única grande empresa do setor a fechar uma unidade durante a atual safra de laranja no País, comentou o jornalista Gustavo Porto.

Em janeiro deste ano, alegando falta de mercado para o suco de laranja, a empresa fechou a fábrica de Bebedouro. Numa ação coordenada com as outras grandes empresas do setor, deixou de renovar um grande número de contratos, reduziu o preço da laranja, criou um brutal problema econômico e social em toda a região citrícola.

O problema tem sido amplamente discutido, com as autoridades estaduais e federais, inclusive em audiências públicas na Câmara Federal e no Senado e a Associtrus vem denunciando a cartelização do setor, a política de exclusão dos pequenos e médios produtores, o registro dos valores de exportação do suco de laranja abaixo do custo de produção e do preço de mercado, entre outras ações altamente prejudiciais ao país.

O processo de concentração que já excluiu mais de 20 mil citricultores do setor, desde meados da década de 90, criando desemprego, drenando a economia dos municípios citrícolas, vem sendo financiado pelo BNDES, que ignora as distorções e os prejuízos econômicos e sociais causadas  pelo processo de concentração e verticalização da indústria de processamento de citros.

Pelas nossas estimativas, desde 1995 a indústria plantou cerca de 90 milhões de árvores num parque citrícola de cerca de 200 milhões de pés. Com a continuidade da expansão dos pomares próprios e com o desestímulo intencionalmente causado pelos baixos preços, a citricultura caminha celeremente para o estágio em que restarão apenas as indústrias e seus 500 amigos, como declarou o presidente da Abecitrus em 2003.

A classe média rural está condenada ao desaparecimento, empobrecendo os pequenos e médios municípios, provocando o desemprego e o êxodo dos profissionais liberais e das empresas que a servem, transformando-os em dormitórios de “bóias frias”, aumentando o desemprego e a violência.

Denúncias de ações como essa foram encaminhadas pela Associtrus para o BNDES e nunca receberam qualquer manifestação por parte do Banco, para contestá-las ou para justificar a sua atuação.  No nosso entender,  não se está promovendo o desenvolvimento econômico e social e sim acentuando o que há de pior na concentração de renda e na exclusão social que tanto tem comprometido a imagem do nosso país.

É lamentável que uma indústria, investigada por cartelização, que tem exportado seus produtos abaixo do custo de produção, e portanto transferido nosso patrimônio para o exterior, continue a ser incentivada pelo governo para continuar sua atuação predadora.

A reivindicação maior dos citricultores, que é a limitação da verticalização, foi solenemente ignorada.

De um lado, o governo investe bilhões em uma reforma agrária e de outro, promove uma contra-reforma  agrária, incentivando a concentração num setor em que mais de 90% são pequenos e médios produtores competentes e que deram sustentação para que este setor atingisse a liderança mundial, mas que agora estão sendo expulsos por interesses inconfessáveis das esmagadoras de citros.

Os governos estadual e federal mostram um total desprezo pelos agricultores, pela sua falta de organização, e concentram suas atenções no MST, organizado, e nas grandes corporações do agronegócio. De uns obtém votos e de outros, apoio financeiro.

 

 

 

 



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