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Os citricultores “satisfeitos” e os dados da Associtrus.

08/09/2009

Por Flávio Viegas: 04/09/09

 

Segundo as esmagadoras, 80% dos citricultores estão satisfeitos com os contratos, os produtores sem contrato são  especuladores,  os estoques de passagem de suco de laranja estão “enormes”,  a Bolsa de NY é um indicador confiável do mercado e  os números da Associtrus não são confiáveis.

Essas afirmações, tão distantes da realidade, seriam cômicas se não fossem trágicas para os citricultores e para os municípios citrícolas.

Sobre a primeira informação não há sequer necessidade de maiores considerações. A segunda informação também está muito distante da verdade, pois inúmeros produtores que, por décadas, vinham renovando os seus contratos, não conseguiram renová-los nesta safra e muitos outros que tinham contratos foram obrigados a renegociá-los a preços mais baixos.

A Bolsa de NY, como já dissemos, não é um indicador confiável do mercado de suco.

Primeiro, devido ao fato de o volume de suco negociado na bolsa ser relativamente pequeno e, depois, devido à alta concentração da produção mundial de suco de laranja nas mãos dos 4”Cs”, o que lhes dá poder de influir nas cotações do suco. O fato de a cotação da Bolsa apresentar pouca relação com o que ocorre no Brasil e de permanecer por longos prazos abaixo do custo de produção do suco e mesmo abaixo do custo da matéria- prima comprova a nossa afirmação.

As informações publicadas pelo USDA indicam um estoque de passagem de 58 mil t de suco a 65ºbrix, o que corresponde a cerca de 15 dias de exportações do Brasil e estoques de 15 mil t na Europa, nosso maior mercado, o que corresponde a uma semana de consumo.

Um fato pouco compreendido no mercado de suco de laranja é que este mercado está dividido em duas grandes áreas: a América do Norte, abastecida pela Flórida e a Europa, abastecida pelo Brasil e em ambas as regiões a produção de suco de laranja está controlada pelos “brasileiros”.

Nos EUA, observa-se uma contração da demanda causada pelo aumento de preço do suco ao consumidor, apesar da queda do preço do suco na bolsa. A partir de janeiro de 2007, o preço do suco na bolsa caiu mais de 60%, enquanto o preço do suco ao consumidor se  manteve estável e muito alto. Dados do USDA mostram uma queda de 26% na produção de suco e de 16% na demanda entre 2001-02 e 2008-09, o que demonstra que a queda da demanda foi menor que a queda do consumo e que a relação estoque/demanda, naquele mercado, está nos mesmos patamares do início da década. Como os estoques mundiais caíram 26%, no mesmo período, os estoques norte-americanos  passaram a corresponder a 85% dos estoques mundiais.

Em resumo, a queda da produção nos EUA foi maior que a queda da demanda e a relação estoque /demanda mantém-se estável. Apesar dos estoques mundiais concentrarem-se na Flórida, os citricultores não estão tendo problemas para comercializar sua safra, que consiste em 50% de variedades precoces, e estão recebendo, em média, US$ 8,53 por caixa. O preço de US$8,53/cx significa US$1,24/lbss, valor muito superior à cotação do suco na bolsa.

No restante do mundo, onde o Brasil controla mais de 80% do suco comercializado, não há confirmação de queda de demanda; as exportações caíram cerca de 2% entre 2001-02 e 2008-09, mas a produção caiu 8%, reduzindo os nossos estoques.

Acredito que os números acima comprovam que a atuação das indústrias não está apoiada nos fundamentos de mercado e é necessário que as autoridades investiguem o que realmente está ocorrendo no nosso setor.

 

P.S. Procuram-se citricultores satisfeitos com os contratos.



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